Sobre amores de transporte público, o hobbie dos porteños.

large24

Esses dias li no blog “Buenos Aires para chicas” sobre como os hermanos paqueram no ônibus. Achei engraçado, então comecei a observar mais o comportamento das pessoas que pegam transporte público por aqui e confirmei, os argentinos adoram mesmo um amor impossível! Se for daqueles rápidos, cheios de drama, com olhares penetrantes e que duram só até a próxima parada, melhor ainda.

Ontem, quando voltava pra casa, tive o azar de pegar um ônibus mega lotado. Me virei e sentei em um cantinho que sobrava ao lado de um banco. Do lado de um cara que, curiosamente, parecia o Russell Brand. Até ai tudo certo. Coloquei meu fone e fiquei ouvindo Mumford & Sons na minha. Enquanto o ônibus atravessava  a longa Av. Corrientes, o “Russell” decidiu descer. Passou por mim sem nem pedir licença (estranhei, já que o povo daqui é bem educado), quando chegou na porta começou a me encarar. Eu queria rir. Ele não falou comigo a viagem inteira e quando vai descer decide começar o flerte? hahaha. Sem reclamações, afinal ele não seria correspondido, rs. Mas achei uma situação inusitada. Ele ficou olhando até descer. Eu não o encarei de volta. Mas admito que as vezes conferia se ele tava olhando, por curiosidade e pra ver se a teoria dos “hermanos paqueradores” era verdade. Resultado: Sim!
Não foi como aqueles casos de “amores de metrô” que o olhar diz tudo, mas o vagão lotado ou a parada chegando, os afastam do ‘felizes para sempre’. Não, nada de romantismo. Ele tava sentado do meu lado. DO MEU LADO. E ainda assim esperou o ponto final para iniciar o flerte. Esse mistério do homem porteño. Acho que é algo que nunca vou compreender.
Beijos, Gabriela Alegre

O amor da sua vida desceu na outra estação

Encontrei um texto incrível em um site mais incrível ainda. Sou suspeita pra falar do site Casal sem vergonha, já que estou sempre lendo e indicando para todo mundo. Pelo nome parece um site só sobre sacanagem, mas não é bem assim, hahah. Tem dicas sobre relacionamentos, listas e textos sobre atitude.

“O amor da sua vida desceu na outra estação” me fez repensar sobre as oportunidades que perdemos diariamente por não olhar só pouquinho para os que estão ao nosso redor. Aposto que vocês vão amar também <3
O amor da sua vida desceu na outra estação
A vida não dorme em serviço. Todos os dias, sem falta, sem falha, ganhamos uma nova chance de mudar completamente o nosso futuro. O ponto da virada, a chave pra transformação de tudo o que você conhece – ou pensava que conhecia – até hoje, passa por você diariamente. São pessoas, essas chaves, esses pontos de virada. Pessoas comuns, das que a gente quase não nota, das que podem cruzar nosso caminho dez vezes no mesmo dia sem nos darmos conta. A gente tem pouco talento para observar o mundo ao redor, essa é a verdade. Nosso celular é tão mais interessante, sempre com as mesmas fotos, as mesmas mensagens, os mesmos interesses. A gente simplesmente não vê a vida trabalhando.
Mas ela, mesmo assim, se esforça, e nos dá outra chance. Essas chances vêm de todo e qualquer lugar. Quer um bom exemplo? As pessoas solitárias do metrô. Elas estão se amontoando, entrando nos horários de rush e se acotovelando para descerem antes que a porta se feche. Às vezes faço questão de fechar o livro que estou lendo, ou ignorar um pouco o Facebook matinal no celular, só para observar as pessoas. Pode parecer que não, mas todo mundo olha pra todo mundo no metrô. Só que parece um olhar de fantasma, uma visão de raio-x, que enxerga as pessoas sem ver ninguém. É assim que o povo que reclama da solidão perde a chance de conhecer alguém que pode mudar tudo dali pra frente. Se você é desses, acredite: você perdeu o amor da sua vida umas mil vezes, no mínimo.
Às vezes é um cara bonitinho que você viu entrar, que estava todo sonolento no canto e que, de tanto sono, deixou cair um cartão, as chaves, um papel, a carteira, qualquer coisa no chão. Você poderia ir lá e avisá-lo, pegar, puxar papo, olhá-lo mais de perto, dar umas risadas, fazê-lo acordar, reparar que ele tem dentes muito brancos, perceber que ele fecha os olhos de leve quando ri e descobrir que ele cursa arquitetura, que está no terceiro ano, que pretende se especializar em casas de veraneio e pousadas. Aí, talvez, quem sabe, ele pegue seu telefone, te mande uma mensagem, te chame para jantar, te roube um beijo, te conte histórias divertidas sobre a infância desvairada, faça perguntas interessantes sobre o seu trabalho, sobre os seus amigos, fale sobre viagens, peça dicas de lugares onde você já foi, te convide para sair de novo, te leve para a casa dele depois do terceiro encontro, te faça pela primeira vez na vida ter um orgasmo ficando por baixo, te peça para dormir lá, te acomode no peito dele enquanto você sonha e te peça para nunca mais ir embora. Isso é possível, sim, claro que é. Você tem que botar fé no seu taco, a vida faz o resto.
Assim como é possível você, cara sozinho que todos os dias senta no mesmo banco, vendo as mesmas vistas e dormindo nas mesmas estações, começar a reparar ao redor. Talvez a moça que está carregando os cadernos bem na sua frente queira ajuda, talvez você possa segurar as coisas dela, reparar que ela está lendo um livro que você já leu, recomendar um outro, perguntar qualquer coisa banal sobre gêneros literários, sobre pra onde ela está indo, sobre se ela não quer se sentar. O roteiro é o mesmo. Às vezes aquela menina linda que entrou é solteira, sim. Às vezes aquela ruiva altona lá na outra porta está mesmo olhando para você, para você e ninguém mais. Talvez aquela menina no banco do canto esteja querendo assistir o novo filme do Tarantino tanto quanto você. Tanto faz! As pessoas se querem, elas têm coisas que interessam aos outros e estão muito dispostas a dividir isso com alguém.
É que a gente é cagão. Sabemos reclamar muito, pedir muito, sentir muita falta, mas achamos um absurdo irmos atrás do que queremos. Vai lá falar com o cara! Vai lá falar com a menina! Eles não mordem. A gente tem que aprender a se dar mais crédito. Somos lindos, claro que somos. Mas isso já seria pedir muito, porque a gente não viu, a gente não vê, você não vê. Você não foi puxar papo com a gatinha de jaqueta elegante porque você não a viu entrar no metrô. Você não ajudou o rapaz sonolento do canto porque quando a carteira dele caiu você estava no celular e quem o ajudou foi um senhorzinho que estava ao lado. Você não retribuiu o olhar fulminante da ruiva no fundo do vagão porque você nem sequer percebeu que ela estava lá. Você, na verdade, nem sabe, mas o amor da sua vida desceu na outra estação e você seguiu viagem.
Texto por Daniel Braz, via Casalsemvergonha

Beijos, Gabriela Alegre