Apropriação cultural nos desfiles de moda – É possível fazer diferente

valentino

As coleções de primavera/verão de diversos estilistas nacionais e internacionais se inspiraram na África. Tema popular entre as runways e cool hunters, mas raramente abordado nos debates sociais. Não é mimimi. Para muitos não é claro os danos que a apropriação cultural pode causar. No meio da moda, a apropriação visa gerar lucros com vários aspectos de culturas menos privilegiadas, sem permissão e com uma compreensão ligeira sobre o objeto aspiracional. Descartando o valor das tradições e rituais para o grupo e constantemente, reforçando esteriótipos negativos e incorretos. Mesmo de forma ingênua.
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É possível inspirar-se sem apropriar-se 

Esta semana a Louis Vuitton exibiu no seu desfile de primavera 2017, a coleção masculina inspirada nas memórias de infância do diretor Kim Jones, que nasceu em Londres mas foi criado na Ethiopia, Kenya, Botswana e Tanzania.
Com a vivência de Jones, foi possível ver uma versão menos estereotipada do continente. Sem tribais, tributos a safaris, modelos com rostos pintados, batas africanas (o conhecido dashiki) e turbantes, a coleção apresentou tons sóbrios, com verde militar, azul prussiano, cáqui e taupe. Estampados xadrez e de zebra, casacos de crocodilo (totalmente contra!) e suéteres inspirados nas mantas Masai. O erro aparece quando apenas 7 modelos negros desfilavam, entre os outros 28 modelos brancos.

Um ponto sem hipocrisia: Diariamente nos apropriamos de aspectos de outras culturas, muitas vezes sem conhecer a origem do objeto ou conceito. É praticamente impossível não fazer isso, considerando que estamos altamente conectados via internet, propagandas, viagens, tendências e arte. Na moda não é diferente. Todos se inspiram em tudo. O problema está no limite do “tudo“.
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